terça-feira, 27 de março de 2012

Chico Anysio, o homem das mais de 200 faces

Ao longo da sua carreira de aproximadamente 65 anos, Chico Anysio, o maior criador de 
 
 personagens, lançou mais de 200 tipos diferentes. Foram médicos, políticos e cantores; mulheres e homossexuais; jovens e velhos; negros e mulatos; caipiras, gaúchos e nordestinos; e, acima de tudo, gente do povo. Mas não foi só com seus ‘filhos’ que o humorista nascido Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho fez sucesso. A arte o acompanhou em outros segmentos como a literatura, pintura e música.
Nascido em Maranguape, no Ceará, em 12 de abril de 1931, viu seu pai perder toda a frota de sua empresa de ônibus num incêndio quando tinha 7 anos; costumava dizer que foi dormir rico e acordou pobre. Ao lado da mãe e de três irmãos, Chico mudou-se para o uma pensão no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, cidade onde já morava o irmão mais velho.
Ainda jovem, começou a participar de programas de calouros fazendo um número com mais de trinta imitações de artistas da época. O humorista ganharia os concursos de atrações como ‘Papel Carbono’ e ‘A Hora do Pato’, ambos da Rádio Nacional. Por conta de seguidas vitórias, acabou sendo rejeitado em outros concursos.
No começo da carreira, exerce várias funções na Rádio Guanabara
Raimundo/Tim Tones/Bento Carneiro/Veio Zuza/Salomé/Azambuja/Profeta/Popó/Alberto Roberto
O futuro humorista sonhava ser jogador de futebol mas, aos 17 anos, viu sua vida mudar. Num dia, ao ir buscar um par de sapatos em casa para poder participar de uma pelada, resolveu acompanhar a irmã Lupe Gigliotti (falecida em dezembro de 2010) em um teste para a Rádio Guanabara. Fez dois testes e acabou aprovado, ao lado de nomes como Nádia Maria, Fernanda Montenegro e Silvio Santos. Com menos de um mês já era locutor nas madrugadas, ator de radionovelas e comentarista esportivo. Logo depois, escreveu programas como ‘Família Behring’ e ‘Showping-pong’.
Em 1949, o humorista se transfere para a Rádio Mayrink Veiga, onde era responsável por 13 programas. Chico retornaria para o Nordeste antes de completar 20 anos e ingressou na Rádio Clube de Pernambuco. A volta definitiva ao Rio viria pouco tempo depois já contratado da Rádio Clube do Brasil. Em 1952, o humorista reintegrou o elenco da Mayrink Veiga, exercendo os papéis de autor, ator e diretor. Nessa época, dirigia atrações como ‘A Rainha Canta’ (da cantora Ângela Maria) e ‘Buraco de Fechadura’.
Nasce o primeiro dos mais de 200 personagens
Brazuca/Coalhada/Gastão/Neyde Taubaté/Justo Veríssimo/Nazareno/Pantalẽo/Bozó/Painho
Ainda em 1952, Chico Anysio lançaria o primeiro de seus personagens e, sem dúvida, o mais importante: o professor Raimundo Nonato. Inicialmente, a ‘Escolinha’ era feita no rádio. Cinco anos depois, no programa ‘Noites Cariocas’, Chico aparece pela primeira vez no vídeo, na extinta TV Rio, onde também atuou em ‘Aí vem dona Isaura’, interpretando o tio da protagonista vivida por Ema D’Ávila. Na emissora, o humorista é nomeado diretor da linha de shows que contava com programas como ‘O Riso é o Limite’ e ‘Praça da Alegria’, e escreve o humorístico ‘Milhões de Napoleões’.
Também em 1957, lança três personagens nos ‘Espetáculos Tonelux’, na TV Tupi. Na TV Excelsior, cria, ao lado de Daniel Filho, e estrela ‘A Volta ao Mundo em 80 Shows’. Com o advento do videoteipe, Chico, em parceria com o diretor Carlos Manga, lança o lendário ‘Chico Anysio Show’, com as suas criações contracenando, em 1960, na TV Rio. No trabalho manual, algo inédito para a época, as fitas eram cortadas e remendadas; assim, Chico poderia dividir a mesma cena com ele mesmo.
O humorista trabalhou ainda na TV Record, onde foi um dos nomes do ‘Essa Noite se Improvisa’ e ‘Vamos Simbora’; na emissora, apresentou também o ‘Professor Raimundo’. Por mais de um ano ficou fora da televisão e só retornaria em 1969, na Globo, com o mensal ‘Chico Anysio Especial’, que era feito totalmente fora de estúdios. Um ano depois apresentou o ‘Você tem Tempo?’ e em 72, o ‘Chico em Quadrinhos’.
Com “Chico City”, se desdobra na TV
Após um período curto fora da emissora foi recontratado e lançou, em janeiro de 1973, o humorístico ‘Chico City’, que se passava numa fictícia cidade do interior onde a maioria dos personagens era vivida pelo próprio comediante. A atração ficou no ar até abril de 1980. Em março seguinte, apresentou o ‘Chico Total’. Já em abril de 1982, retorna com o ‘Chico Anysio Show’, até agosto de 1990. Em 1991, propõe uma linguagem diferenciada com ‘Estados Anysios de Chico City’, que acaba não dando muito certo.
Cinco anos depois, recria o ‘Chico Total’, agora com formato semanal, e em 1999, lança ‘O Belo e as Feras’, deixando de interpretar suas criações. Ainda na Globo, o humorista teve um quadro no ‘Fantástico’ (onde aparecia fazendo crônicas entre 1974 a 91), foi supervisor de ‘Os Trapalhões’ (nos anos 90), atuou em novelas como ‘Feijão Maravilha’ (1979, onde apareceu caracterizado como Salomé), ‘Terra Nostra’ (1999) e ‘Caminho das Índias’ (2009), além da minissérie ‘Engraçadinha’ (1995) e esteve em programas como ‘Brava Gente’ (2002) e ‘Zorra Total’ (1999 e 2010), onde reviveu alguns de seus tipos.
O voo solo de alguns personagens
Na Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi comentarista esportivo da Rede Globo. Em 2009 e 2011, estrelou especiais de final de ano na emissora, o ‘Chico & Amigos’. Três de seus personagens acabaram ganhando programas solos – ‘Azambuja & Cia.’ (1975), ‘Linguinha x Mr.Yes’ (atração diária entre 1971 e 72) e ‘Escolinha do Professor Raimundo’. No cinema, Chico escreveu quase 20 chanchadas e esteve em filmes como ‘Entrei de gaiato’ (1959), ‘Tieta’ (1996), ‘Se eu fosse você 2′ (2009) e ‘Uma professora muito maluquinha’ (2010), além de dublar o personagem Carl de ‘Up – Altas aventuras’ (2009).
Na literatura, mais de 20 livros; na música, vários discos gravados
Urubulino/Lobo Filho/Mariano/Lingote/Bexgia/Divino/Roberval Taylor/Cascata/Calheiros
A veia na literatura levou o humorista a escrever mais de 20 livros, como ‘O batizado da vaca’ (1972), ‘O enterro do anão’ (1973), ‘É mentira, Terta?’ (1973), ‘Feijoada no Copa’ (1976), ‘O Tiete do Agreste’ (1984), ‘Sou Francisco’ (1992), ‘Jesuíno, o Profeta’ (1993), ‘Como segurar seu casamento’ (2000) e ‘Mesa de buteco’ (2005). Em 2007, lançou um livro com a caricatura de aproximadamente 80 de seus personagens e um DVD com os melhores momentos de seus programas.
Como pintor, expôs seus trabalhos cuja maioria retratava paisagens marítimas. Na música, lançou aproximadamente duas dezenas de discos, com destaque para ‘Chico Anysio show’ (1967), ‘Chico Anysio fantástico’ (1973), ‘Chico com c’ (1976), ’30 anos de Chico Anysio’ (1981) e ‘Chico é do cassete’ (1986), além de trabalhos religiosos contando a vida de Padre Cícero, Frei Damião, São Francisco de Assis e São Judas Tadeu.
Alguns de seus tipos também ganharam trabalhos em LPs, como ‘Linguinha’ (1971), ‘Roberval Taylor’ (1976) e ‘Coalhada, o craque que faltou na seleção’ (1979). Como compositor, assinou canções gravadas por Dolores Duran (como ‘Zefa cangaceira’ e ‘Prece vitaliana’) e Wando (‘Safada’), e fez parcerias com João Roberto Kelly (com ‘Rancho da praça 11′) e Arnaud Rodrigues (em músicas como ‘Vou batê pra tu batê). O ‘Hino ao músico’, de sua autoria junto com Nancy Wanderley e Chocolate, foi tema de seus programas na TV.
No teatro, estrelou diversos espetáculos por todo o Brasil bem antes da moda do ‘stand-up’. Subiu aos palcos com ‘Chico Anysio só’, ‘Uma noite com Chico Anysio’, ‘No quarto com Chico Anysio’, ‘Chico set’, ‘Eu conto, vocês cantam’ e ‘Chico.Tom’, entre várias outras. Ainda no teatro, dirigiu comédias e shows, como ‘País tropical’, com Jorge Bem Jor, em 1974; ‘Papo furado’, de sua autoria, em 1978; ‘Seu Boneco’ (1992); ‘Fafy Siqueira ou não queira’ (1995) e ‘Com licença, estou chegando’ (1998).
Prêmios diversos e homenagens no carnaval carioca
Karlos Kafunga/Canavieira/Tulio Bocanegra/Tavares/Baiano/Corrimão, Bonfá/Olegário Repp/ Lord Black
Chico foi homenageado duas vezes no carnaval do Rio: em 1997 pela Arranco, no enredo ‘Chico Anysio – 50 anos de humor’, e em 2009 pela Unidos do Anil, em ‘Chico Total – Sou Anil e faço carnaval’. O humorista recebeu ainda diversos prêmios; entre eles, quase 20 Troféus Imprensa, três estatuetas da Associação Paulista de Críticos de Arte, as Medalhas de Ouro e Bronze e o Diploma de Honra ao Mérito do Festival Internacional de Filme e TV de Nova York. Durante a carreira, envolveu-se em algumas polêmicas.
Em 1996, enquanto gravava o ‘Chico Total’, foi acusado de racismo por causa do quadro ‘Café Bola Branca’, reduto do sambista Zé Tamborim (interpretado por ele), onde atores brancos apareciam pintados de preto. Nessa mesma época, sofreu um acidente e fraturou o maxilar, passando por uma delicada cirurgia. Como sequela, teve uma paralisia parcial do rosto, que o levou a tratamento nos EUA. Por várias vezes, Chico queixou-se da Rede Globo e de ter permanecido por anos na ‘geladeira’. O humorista chegou a se submeter a oito cateterismos e a colocar um stent no coração.
Na vida pessoal, casou seis vezes – com as atrizes Nancy Wanderley (1927-2008), Rose Rondelly (1934-2005) e Alcione Mazzeo, com a ex-frenética Regina Chaves, com ex-ministra Zélia Cardoso de Mello e com a empresária Malga Di Paula. Teve nove filhos: os atores Lug de Paula, Nizo Neto e Bruno Mazzeo, o diretor de imagem Rico Rondelli, o DJ Cícero Chaves, Rodrigo e Vitória, além de  dois  adotados, um deles o empresário e ator André Lucas. Chico teve 16 irmãos, como o cineasta Zelito Viana, era tio do ator Marcos Palmeira e da atriz e diretora Cininha de Paula e tio-avô da atriz Maria Maya.
A saúde de Chico Anysio passou a apresentar sinais de desgaste em 2009, quando ele foi internado por causa de uma pneumonia. Já em agosto de 2010, retirou parte do intestino grosso, após apresentar um quadro de hemorragia digestiva. Em dezembro, uma nova internação por falta de ar; o seu estado se agravou e o humorista passou mais de 110 dias no hospital.
Em novembro, por causa de uma infecção urinária, foi novamente internado onde ficou por 22 dias. Um dia após ter alta, em dezembro, voltou ao hospital, agora com hemorragia digestiva. Em janeiro, foi operado para retirada de um segmento do intestino delgado, e precisou iniciar sessões de diálise. Em fevereiro, apresentou novo quadro de infecção pulmonar, o quadro clínico do humorista foi piorando. Chico Anysio morreu aos 80 anos, após sofrer duas paradas cardíacas; ele teve ainda falência múltipla de órgãos.
Fonte: http://centraldenoticias.wordpress.com

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Encanto do Carnaval de Belém do São Francisco

A poesia que encantou o Carnaval de Belém do São Francisco - três trovadores - Miguel, Marinho e Greg, uma cantoria de primeira com a marca dos poetas de São José do Egito e nesse agito, nessa folia, subia ao palco uma patativa chamada de Bia.


 

  






















sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana - Cadê os Dólares das Privatizações???

A Privataria Tucana do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

PRIVATARIA TUCANA: LIVRO-DENÚNCIA TRAZ BASTIDORES ESPANTOSOS DE UMA ERA DE ESCÂNDALOS E CORRUPÇÃO

Com 200 páginas e 16 capítulos que jamais deixam cair seu contundente interesse, PRIVATARIA TUCANA é o resultado final de anos de investigações do repórter Amaury Ribeiro Jr. na senda da chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra. A expressão “privataria”, cunhada pelo jornalista Elio Gaspari e utilizada por Ribeiro Jr., faz um resumo feliz e engenhoso do que foi a verdadeira pirataria praticada com o dinheiro público em benefício de fortunas privadas, por meio das chamadas “offshores”, empresas de fachada do Caribe, região tradicional e historicamente dominada pela pirataria.
Essa “privataria” toda foi descoberta num vasto novelo cujo fio inicial foi puxado pelo repórter quando ele esteve a serviço de uma reportagem investigativa, encomendada pelo jornal “Estado de Minas”, sobre uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra para levantar um dossiê contra o ex-governador mineiro Aécio Neves, que estaria tendo romances discretos no Rio de Janeiro. O dossiê teria a finalidade de desacreditar o ex-governador mineiro na disputa interna do PSDB pela indicação ao candidato à Presidência da República, e levou Ribeiro Jr. a uma série de investigações muito mais amplas, envolvendo Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, o próprio Serra e três de seus parentes: Verônica Serra, sua filha, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marín Preciado. Serra e seu clã são o assunto central do livro, mas as ramificações e consequências sociais e políticas das práticas que eles adotam são vastas e fazem com que o leitor comum fique, no mínimo, estupefato.
Sem dúvida, o brasileiro padrão, mediano, que paga seus impostos, trabalha dignamente e luta pela vida com dificuldades imensas estará longe de compreender o complexo mundo de aparências e essências, fachadas e bastidores da corrupção política e empresarial, e toda a sofisticação desses crimes públicos que passam por “lavanderias” no Caribe, e, neste caso, o estilo objetivo e jornalístico de Amaury Ribeiro Jr. é de grande ajuda para que as ações pareçam inteligíveis para qualquer pessoa mais instruída.
Um dos principais méritos do livro é descrever toda a trajetória que o dinheiro ilícito faz, das “offshores” a empresas de fachadas no Brasil, e da subsequente “internação” desse dinheiro nas fortunas pessoais dos envolvidos. Neste ponto, o livro de Ribeiro Jr., embora não tenha nada de fictício, segue a trilha de livros policiais e thrillers sobre corrupção e bastidores da política, já que o leitor pode acompanhar o emaranhado e sentir-se recompensado pelo entendimento. O livro, aliás, tem um início que de cara convida o leitor a uma grande jornada de leitura informativa e empolgante, revelando como Ribeiro Jr., ao fazer uma reportagem sobre o narcotráfico na periferia de Brasília, a serviço do “Correio Braziliense”, sofreu um atentado que quase o matou e, descansando desse atentado, voltou tempos depois a um jornal do mesmo grupo, “O Estado de Minas”, para ser incumbido de investigar a rede de espionagem estimulada por Serra, mencionada no início. É o ponto de partida para tudo.
O que este PRIVATARIA TUCANA nos traz é uma visão contundente e realista como poucas dos bastidores do Brasil político/empresarial. O desencanto popular com a classe política, nas últimas décadas, acentua-se dia após dia, e um livro como este só faz reforçá-lo. Para isso, oferece todo um manancial de informações e revelações para que o leitor perceba onde foi iludido e onde pode ainda crer na humanidade, pois, se a classe política sai muito mal, respingando lama, dessas páginas, ao menos o jornalismo investigativo, honesto e necessário, prova que os crimes de homens públicos e notórios não ficam para sempre convenientemente obscurecidos. Há quem os desvende. E quem tenha coragem de revelá-los.

Fonte: http://bloggeracaoeditorial.com/2011/12/12/a-privataria-tucana-do-jornalista-amaury-ribeiro-jr/





Vídeo:



Baixe o livro "A Privataria Tucana" no formato pdf no link abaixo:
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A farsa do governo Eduardo Campos

Por Edilson Silva

A imprensa desta semana estampou a face de um governador aberto em sorriso com a aprovação altíssima de seu governo. Mais de 80%. Os números têm a magia de arrogarem-se incontestes, irrefutáveis. São a base das ciências que não exigem maiores níveis de abstração na busca de verdades e certezas. São para se panfletar à vontade. Positivismo de pior tipo.

E é nisso que o governo e seus porta-vozes se esbaldam. Esses números servem para submeter ainda mais os puxa-sacos - imprensa incluída -; servem para tentar intimidar a oposição e amealhar novos subalternos; e servem, no caso específico em tela, para ir cacifando o governador em sua indisfarçável tentativa de alçar vôos nacionais.

Mas este filme dos altos índices de aprovação já foi visto no Brasil e no mundo, em muitas outras ocasiões. Com crescimento econômico e geração de empregos, muitos absurdos já foram cometidos no nosso país, e seus patrocinadores depois caíram no ostracismo, deixando o buraco para as gerações futuras. O roteiro do governo Eduardo Campos não é original.

O avô do governador mesmo, o velho Arraes – um grande brasileiro -, foi cassado por um regime que gozava de inegável apoio popular e fazia propagandas triunfalistas: “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo... meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil...” (http://www.youtube.com/watch?v=J-c-__IhzqI&feature=related). Ou então: “Este é um país que vai pra frente...” (http://www.youtube.com/watch?v=VITtfvWM-mg), quase sempre na voz alugada d’Os Incríveis. Economia crescendo, empregos, povo alegre, mas o país submetendo-se aos interesses antinacionais e os descontentes sendo assassinados em porões da ditadura que, anos depois, foi enxotada pela mobilização popular, combinando luta por democracia e contra a crise econômica.

Em tempos menos remotos, vimos a supremacia de FHC em nível nacional, a força de Jarbas Vasconcelos em Pernambuco. Hoje estas lideranças de outrora já não são assim, digamos, tão triunfantes. Ou seja, os números em política podem ser fotografias maquiadas, e bem maquiadas. Podem revelar tão somente a sensação superficial, a epiderme do sentimento popular, que, como na ditadura, podem ser manipulados. E quando sabemos que as pesquisas são produtos encomendados, que dificilmente serão elaborados a contragosto do cliente, as razões para ligar o desconfiometro devem ser redobradas.

O governo Eduardo Campos é o campeão da maquiagem. Suas peças publicitárias são uma farsa. Os números apresentados da escola pública descaradamente não se referem a todas as escolas, mas tão somente às de referência. O texto na TV é rápido, ligeiro o suficiente para confundir e esconder que em Pernambuco a escola pública fundamental deixou de ser universal, para ser focada em grupos minoritários.

As peças publicitárias da saúde vão no mesmo caminho. Número de aumento de “profissionais de saúde” são mostrados, mas quantos por concurso público? Quantos são, na verdade, contratados em manobras não republicanas, por convites, recolocando nosso Estado no período prévio à Constituição de 1988, quando a sociedade conquistou a positivação constitucional de que só trabalha no serviço público servidor contratado mediante concurso? Reparem nas peças da segurança pública. As manobras se repetem.

Os números apresentados, tanto pelas peças publicitárias quanto pelas “pesquisas”, estão a serviço da maquiagem de um fenômeno relativamente novo na política brasileira: as oligarquias com discurso de esquerda. É o patrimonialismo “moderno”, é a nova direita pós-neoliberal, o anti-republicanismo que faz questão de confundir democracia com ineficiência, por um lado, e ordem e eficiência com ausência de república, de outro.

Assim, bandeiras como participação popular e controle social são associadas ao atraso. O slogan “deixa o homem trabalhar” (sem atrapalhar, logo, sem participar, criticar, fiscalizar) é parte desta estratégia que se vê em várias gestões Brasil a fora.

É curioso que no mesmo momento que o governo “ostente” níveis tão altos de aprovação, um dos cientistas sociais mais respeitados em nosso estado, dos mais insuspeitos, escreva um artigo tão na contra-mão da euforia. Refiro-me a Michel Zaidan Filho, que escreveu um texto, Natureza e Entropia (http://edilsonpsol.blogspot.com/2011/08/natureza-e-entropia.html), em que discorre com maestria sobre as opções antiecológicas do governo Eduardo Campos.

O texto mostra que hoje quem está nos porões da ditadura do crescimento irracional é a natureza, pendurada num “pau-de-arara”, e as ações políticas de antes, são hoje as enchentes, deslizamentos, o aquecimento global. Façamos como a natureza: não nos submetamos aos números.




Presidente do PSOL-PE

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de outubro Dia D - D de Drummond.

Espalhe-se a ideia, tão simples quanto ambiciosa: transformar o dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, num dia de grande comemoração.
Nas escolas, universidades, livrarias, bares, museus, TVs, rádios, centros culturais e mesmo em solidão, não importa onde e como, que todos se lembrem de festejar Drummond e a sua poesia.
Um outro dia D, para apagar a guerra e saudar a liberdade, a imaginação, a aliança entre os homens de boa palavra.
Dia de festa, para a qual outros poetas devem ser convidados, claro. D é dia de todos, dia dado de bom grado por aquele que nos deu A rosa do povo, Claro enigma, A vida passada a limpo e tantas outras maravilhas.
Dia D. Dia de Drummond

Fonte: http://diadrummond.ims.uol.com.br/


POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade


domingo, 30 de outubro de 2011

Drummond por Belchior


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O AUTOR de “A Rosa do Povo”: encontro com Belchior no Rio de Janeiro do final dos anos 70
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ALGUNS DOS 31 retratos de Drummond pela pena do Belchior artista plástico: faltou coragem para entregar o presente ao poeta
FOTOS: REPRODUÇÃO
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Completam-se hoje 109 anos desde o nascimento de Carlos Drummond de Andrade, por muitos considerado o mais importante poeta do modernismo brasileiro. Em 2004 foi lançado um cd  de Antônio Carlos Belchior com vários poemas musicados e gravados no cd - As Várias Caras de Drummond pelo  “Sentimental - A Arte Poética e a Música Barata de Antônio Carlos Belchior Drummond de Andrade”

No final da década de 70, o cantor conheceu o poeta Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro, entre uma caminhada e outra no calçadão de Copacabana. Meio sem jeito, Belchior, que também se chama Carlos, não se sentiu à vontade para estar com o poeta. “Não costumo me aproximar dos meus ídolos. Tenho uma relação platônica com eles”, contou, em entrevista ao Caderno 3.

Para não pôr fim ao encanto? Talvez, Belchior diria. Ainda na excitação de ter visto o poeta, o cantor, que também é artista plástico, concebeu nada menos que 31desenhos e pinturas de Drummond e lhe presenteou com o disco “A Palo Seco”, por intermédio de um amigo comum. Pelo disco, Belchior receberia dias depois um bilhete elogioso do poeta. Pelos desenhos... Bem, os desenhos foram engavetados. Faltou coragem para entregá-los ao poeta.

O projeto teve início no anode 2002, quando Belchior esteve na terra natal de Drummond, Itabira, em Minas Gerais. Silva Belchior (isso mesmo, Belchior), da coordenação da Fundação Carlos Drummond, convidou o cantor para participar da programação do centenário do poeta. Na ocasião, o músico sobralense não só recitou os poemas do itabirano, como pensou na idéia de vê-los musicados, ladeando os desenhos engavetados. O trabalho rendeu viagens ao exterior, incluindo Alemanha, onde Belchior foi convidado a apresentar a exposição na Universidade Livre. “Eu tive oportunidade de apresentar o Brasil não oficial para os europeus”, diz. A Itália foi outro outro rumo certo onde o cantor apresentou os poemas de Drummond.
O álbum “Sentimental ...” é composto de 36 músicas e 31desenhos. Belchior diz que procurou poemas menores e menos óbvios, como os versos eróticos do livro “Corpo”. “Outro critério de escolha foi incluir poemas que falam da província e da cidade grande. Um tema recorrente na minha música”, complementa. Apostando que o casamento da poesia e da música, mais uma vez, daria certo. Feito “cantiga de amor sem eira nem beira”...
Edma Cristina de Góis
Da Editoria do Caderno 3






Poemas de Carlos Drummond de Andrade musicados por Belchior:

CD 1:

1-Sentimental
2-Lagoa
3-Concerto
4-Cota zero
5-Liquidação
6-Perguntas em forma de cavalo-marinho
7-Quando desejos outros é que falam
8-Toada de amor
9-Lanterna Mágica
10-Orion
11-Poema que aconteceu
12-Também já fui brasileiro
13-O passarinho dela
14-Ar
15-Política literária
16-Poesia

CD 2:

1-A música barata
2-Arte poética
3-Os inocentes do Leblon
4-Quero me casar
5-Cidadezinha qualquer
6-Cantiguinha
7-Boca
8-Ainda que mal
9-Procuro uma alegria
10-Serenata
11-Nova canção do exílio
12-Sweet home
13-Rosa rosae
14-Mosaico de Manoel Bandeira
15-No banco de jardim