segunda-feira, 7 de julho de 2014

Maciel Melo - O Caboclo Sonhador







O pernambucano, de Iguaraci, Maciel Melo é um dos maiores incentivadores do forró pé-de-serra. Possui composições gravadas por estrelas nacionais como Zé Ramalho, Elba Ramalho, Dominguinhos e Fagner (que batizou um álbum de Caboclo Sonhador, sua composição mais conhecida), ou astros regionais, Flávio José, Novinho da Paraíba, Alcymar Monteiro. Antes do estouro De baiões e xotes no Sul Maravilha, ele havia planejado uma volta ao arrasta-pé tradicional, que aporta agora às lojas, com selo da Kuarup e título de Sina de Cantador. Quando Caboclo Sonhador e Que Nem Vem-Vem (a primeira com Flávio José e Fagner, a segunda com Elba Ramalho) pasaram a tocar sem parar nas FMs, ele foi contratado por Manoel Gurgel, dono da linha de montagem do forró cearense, cuja gravadora a SomZoom tem os passes de Mastruz Com Leite, Mel com Terra e várias outras bandas do tipo, mas não chegou a esquentar o lugar: "Foi uma experiência válida, deu pra pagar as contas, Gurgel queria que eu continuasse, só que minha música não se encaixa no estilo da gravadora". Só o Mastruz com Leite gravou quatro músicas suas, no CD Boi Zebu e as Formigas. Outra banda liderada por Gurgel, a Balaio de Gato, fez o primeiro disco tendo como carro-chefe uma composição de Maciel, Carinho e Cafuné, seu primeiro CD, Alegria de Nós Dois, saiu pela SomZoom. Apesar do reconhecimento ao empresário, Maciel Melo, com seu jeito e falar tranquilos de sertanejo, não vê com bons olhos as bandas cearenses: "Foi uma coisa que lascou o pessoal que faz forró, e pra mim aquilo nem é forró”. A trajetória de Maciel Melo tem sido uma retomada de suas influências no sertão do Pajeú. No início da carreira, em Petrolina, ele tocava em banda de baile, pilotando num teclado os sucessos do momento. Seu Lp de estréia, Desafio das Léguas, de 88, girava na rota da cantoria, com direito às participações especiais de Vital Farias, Xangai, Décio Marques.
Nos discos seguintes (sem contar o da SomZoom), contratado pela Velas, ele assumiu o forró em Janelas (a faixa título é uma parceria com Anchieta Dali), de 96. No próximo, Retinas, de 97, mostrou facetas mais urbanas de sua obra: "Quando vi que a gravadora não ia lançar o CD a tempo para São João, tava dando prioridade ao de Dominguinhos, com músicas de Luiz Gonzaga, eu decidi incluir coisas minhas que não teriam muita chance de serem gravadas, frevos, outros estilos". Sina de Cantador tem repertório formado basicamente por xotes à moda antiga, intercalado por uma toada em que homenageia sua cidade natal, e um choro, gênero esquecido pelos forrozeiros, mas que sempre esteve presente em trabalhos de gente como Abdias ou Jackson do Pandeiro, só que um choro de sotaque nordestino, costurado por um oito-baixos.
No próximo CD, Feira de Sonhos, (que saiu independente, com patrocínio da Telpe), Maciel Melo voltou à música de sua infância, inicialmente apreendida nos acordes do sanfoneiro Heleno Louro, seu pai: "Vou fazer um trabalho acústico, ainda mais pé-de-serra, sem nada de teclado, guitarra, na base da sanfona, violão, cavaquinho, rabeca. É a vantagem de não estar ligado a uma grande gravadora, onde os caras dizem o que interessa ou não a eles". Como exemplo, Maciel Melo cita o novo CD de Elba Ramalho, para quem enviou quatro composições, mas ela só teve direito a incluir uma, ou o recém-lançado Nas Costas do Brasil, de Dominguinhos; "Eu fiz uma música especialmente para ele, mas a Velas queria fazer um disco com seus sucessos, e acabei sobrando."
Quando a TV Jornal decidiu por no ar um programa dedicado ao forró, o Pé-de Serra, fez o convite a Maciel Melo. Sem tempo de ocupar-se com mais uma atividade, ele indicou o poeta sertanejo Zeto. Quatro anos depois, ele ficou à frente do Pé-de-Serra: "É uma experiência diferente, no começo senti um pouco de dificuldades, mas já tô desenrolado. Quando é necessário o cabôclo aprende a ser inteligente". É a velha máxima funcionando: a necessidade é mãe da invenção.
Até 90, Maciel Melo era apenas compositor, achando-se muito tímido para subir num palco e enfrentar o público: "Aí aconteceu um festival de MPB na TV Record, e participei como intérprete cantando um maracatu de Walmar", lembra. Com nome firmado no universo do forró, na sua e na voz de vários artistas, Maciel Melo diz que por mais estilos ou gêneros pelos quais possa enveredar ele continuará sempre um cantador: "Nunca vou abandonar este vínculo que tenho com a música de Elomar, Xangai, gosto mesmo é de boa poesia, não desta coisa banal que domina o mercado", confessa, mostrando que o Sina de Cantador, é mais que um título de um dos seus cds.

domingo, 6 de julho de 2014

Xangai





Eugênio Avelino nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, em 1948. Ainda criança, mudou-se com a família para a Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, seu pai montou uma sorveteria, na cidade de Nanuque, cujo nome era Xangai. Daí o artista tirou, mais tarde, seu nome artístico. Sua família era ligada à música. O avô era sanfoneiro, e Xangai iniciou os estudos musicais na sanfona, passando, posteriormente, ao violão. No início da década de 1970, viveu na fazenda de seu primo, o compositor Elomar. Com ele, conheceu a cultura e a música caipira, e aprendeu a cantar aboiando o gado. Essa convivência foi fundamental para sua formação musical. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro. Chegou a começar uma faculdade de economia, que largou para dedicar-se à música. Em 1976, gravou seu primeiro disco. Xangai chama a atenção não só pelo talento, mas também porque faz críticas abertas à cultura de massa, e ao monopólio musical instituído pelas grandes gravadoras. Ele faz questão que sua música seja uma resistência a isso. E notemos que seus primeiros discos, gravados em meados da década de 70 e no começo da década de 80, coincidiram com o apogeu das grandes gravadoras. Ele fala da mídia de massa, que impõe a todo o mundo a música de alguns poucos artistas, como um rolo compressor que massacra as culturas populares locais, que, por mais que tenham qualidade e consigam resistir, ficam em estado de extrema vulnerabilidade. Mas ele alerta que existem pessoas que não se deixam enganar pelo canto das “pseudo-sereiras”, a quem ele denomina “guerrilheiros culturais”, e entre os quais ele mesmo se inclui. Apesar disso, Xangai alcançou grande sucesso, e hoje é um artista muito conhecido. Mas sua postura, fiel à música de qualidade, não permitiu que ele ficasse rico. Segundo ele, dá para pagar as contas, mas nunca tem dinheiro sobrando. Qué qui tu tem canário é o terceiro disco da carreira de Xangai, gravado em 1981. Apesar de Xangai não rotular sua música, sua obra evidencia claramente sua afinidade com os sons e os temas do sertão. Nesse disco, ele mostra o grande compositor que já era em início de carreira, e seu enorme talento como intérprete. Destaco as faixas Estampas Eucalol, de Hélio Contreiras, e Matança, de Jatobá.https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhz_ihyphenhyphenJ7jY1PkW6yuEf6BvGY4k9ertP7980_5lfWTDh5hXvFpGoyrxeW8Wlxh8wwp3V5oA-ZCJ7y0t-LWKTb0x2vO1JOwQfQi8uypc0slSz9FoL8ppl62b6Jqk2ROD9Tmgs65nXCNz9Yk/s1600/xangai+e+quinteto+da+paraiba+foto.jpg


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Zeto - O Andarilho

José Antônio do Nascimento Filho - Zeto, também conhecido como Zeto do Pajeú, foi um Poeta, Cantor, Compositor e Teatrólogo. Nasceu na cidade de Canhotinho - PE, em 1956. Era um menestrel, um autentico cantador do Sertão antigo, como afirma na sua cantiga Andarilho (...)Imitar os ciganos andarilhos, percorrer os caminhos dos trocadilhos(...)”. Durante uma viagem a São Paulo, Zeto conheceu Bia Marinho, filha do repentista Lourival Patriota (Louro do Pajeú) – “rei do trocadilho”. Morou muitos anos na cidade de São José do Egito, onde se casou com cantora Bia Marinho e tiveram os filhos Antônio Marinho do Nascimento e Miguel Marinho. Da parceria musical surgiu o disco, Estrada, em 1989, dedicado ao poeta e compositor José Marcolino. Participou da campanha do programa eleitoral de Miguel Arraes, em 1986, improvisando em cima do mote “Arraes vai entrar pela porta que saiu”. Apresentou o programa Pé de Serra, na TV Jornal, em 1996, foi compositor de forró bastante requisitado pelos artistas do gênero. Entre os que gravaram suas composições estão Bia Marinho, Paulo Matricó, Alcymar Monteiro e Flávio José. Gravou seu último disco em 1999 – com o título de Curvas. Morreu em outubro de 2002 em Palmares, de complicações no fígado, sendo enterrado em Canhotinho-PE, cidade onde reside sua família.





Clique aqui para baixar o CD

quarta-feira, 25 de junho de 2014

JOÃO DICARVALHO - O MENESTREL DO JATINÃ


Quem convive com João diCarvalho, poeta, artista plástico, cantor e compositor, sabe entender o quanto há leveza em sua alma, compreende como a geografia mapeia seu universo sonoro. Entre letras, pincéis, acordes, canções e melodias, João diCarvalho, reconstrói diuturnamente seu universo astral, seu pluralismo cultural, por isso, talvez não exista uma melhor definição para a sua produção artística, então, preferimos entendê-lo como ser que busca equilíbrio entre as muitas artes. João diCarvalho, filho de Tadeu Pires de Carvalho e Carmosina Maria de Carvalho, nascido em 27 de junho de 1975, como diz o poeta, parceiro e amigo Lano Pires, “...do batente da Serra do Jatinã, pertinho da beira do rio, nasceu esse menestrel contador de histórias desse "lugar", desses "lugares", fazendo da sua cantoria um aprendizado da geografia...”. É o mais novo de uma família de seis irmãos. A Fazenda Jatinã, a cidade de Belém do São Francisco e o interior de Pernambuco são partes dos referenciais da construção do seu lugar, sua verdadeira identidade. Seu gosto pela cultura regional é algo muito presente e isso desde cedo foi assimilado.
Este brilhante pernambucano trafega entre melodias e canções mescladas nas raízes nordestinas com elementos do pop, as quais estiveram presentes no seu 1º CD “ Canto do Interiror ”, onde é possível observar o seu amor incondicional pelo sertão nordestino. Sertão como o de Itaparica, que teve parte de sua porção alagado pela hidrelétrica Luís Gonzaga, inclusive a sua terra natal “Jatinã”, na qual ele afirma em uma das canções “Do sonho que não sonhei... a vida que se desfez...pra outro sono prosseguir” e também exaltou as riquezas e belezas deste sertão; no 2º CD, intitulado “Num buquê de Marias” o poeta retratou mais uma vez o nordeste em suas canções, reservando espaço ainda, para exaltar a importância que as Marias tem na sua vida, fazendo alusão a fé que a Virgem Maria exerce sobre ele; já recentemente, gravou o CD “João diCarvalho & Elas”, nele o poeta faz uma releitura de sua obra, gravando canções que compôs no início de sua carreira, incluindo também, composições recentes e, mesmo impregnada de intensa pernambucanidade, suas obras falam do amor em suas variadas formas e expressões, bem como, retratam mais uma vez, o canto do povo do sertão, fazendo conexão com a sua história, o seu povo e a sua geografia. Neste CD ainda, quis o eclético artista, oportunizar a descoberta de novos talentos femininos do interior, no qual reside e que é tão bem lembrado e poetizado nas suas composições. É pós-graduado pelo superior em Geografia, no Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco- CESVASF, onde desenvolveu vários projetos ambientais e, nesta instituição, também lecionou, sendo admirado por toda a classe acadêmica pelo compromisso e competência que demonstrou durante os anos que reservou para aquele Centro Acadêmico; deste modo, o poeta segue desenvolvendo um trabalho social e voluntário voltado para Educação e o Meio Ambiente no município de Belém do São Francisco e faz parte do grupo de coordenadores da Escola Estadual Maria Emília Cantarelli e integra o quadro de funcionários da Companhia Pernambucana de Saneamento - COMPESA . Atualmente, João diCarvalho desenvolve trabalhos audiovisuais na empresa Aprodutora, além de dirigir e produzir "As Caras da Cultura" - um projeto voltado para apresentações de artistas e grupos da cultura regional nordestina. As primeiras edições do programa trouxeram nomes como Maciel Melo, Anchieta, Dali, Jonas Bezerra e outros.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Zezito Doceiro - O Poeta de Salgueiro


O poeta e cantador Zezito Doceiro, nasceu no município de Salgueiro-PE, já tem mais de 80 músicas gravadas por bandas de forró e por artistas consagrados como Dominguinhos, Maciel Melo, Adelmário Coelho, Joquinha Gonzaga, Geraldinho Lins e Amelinha. O nome doceiro veio do ofício de entregar os doces produzidos na fábrica do pai para várias cidades do Sertão nordestino. 








Em 2009, pariticipou do projeto do Governo Federal - Um Rio Melhor, Um Rio Para Todos - ao lado de outros cantadores como Maciel Melo e Petrúcio Amorim, além do poeta Antônio Marinho Neto.
Veja o vídeo abaixo:



CD Zezito Doceiro  a Tua Canção






Baixe o CD Zezito Doceiro - A Tua Canção:

 

sábado, 12 de outubro de 2013

Relançamento de Cantoria traz 4 menestréis da MPB

Relançamento de Cantoria traz 4 menestréis da MPB


Parceria entre a Sony Music e a extinta gravadora Kuarup relança históricos discos do projeto que reuniu Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai, em 198










O cantador Elomar construiu um teatro para 2 mil pessoas
(Foto: Divulgação)







“Senhores donos da casa, o cantadô pede licença, pra puxar viola rasa, aqui na vossa presença (Desafio)... Nas horas de Deus amém, padre, filho, espírito santo, essa é a primeira cantiga que nessa casa eu canto (Novena)...” Pois é, não tem som, infelizmente, mas os cantadores dos versos acima estão de volta. A Sony Music fez uma parceria com a extinta Kuarup e acaba de lançar um pacote com oito títulos da gravadora, entre eles os dois primeiros discos do projeto Cantoria, gravados ao vivo com quatro ícones da música popular brasileira regional: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Os menestréis se juntaram para mostrar suas cantorias, melodias e cantigas num concerto realizado no teatro Castro Alves, em Salvador.

O registro gravado ao vivo em janeiro de 1984 foi lançado em disco no mesmo ano com o nome de 'Cantoria 1'. O sucesso das apresentações e do LP deu origem ao projeto Cantorias, série com edições de outros álbuns. O projeto se tornou show itinerante do grupo, percorrendo várias capitais do País, mostrando a riqueza da música erudita, medieval e contemporânea feita pelos quatro cantadores. O segundo volume — 'Cantoria 2' —foi lançado no ano seguinte, durante a turnê dos músicos, e reúne músicas da apresentação no teatro Castro Alves que não entraram no primeiro álbum e parte dos registros dos espetáculos realizados pelo País. O 'Cantoria 3' é apenas com Elomar. O projeto ainda abriu caminho para outros títulos como 'Cantoria Brasileira', 'Cantorias' e 'Cantadores', reunindo outros músicos.

Os dois LPs com o quarteto de cantadores foram relançados em CD posteriormente, mas estavam há algum tempo fora de catálogo, obrigando os fãs a apelarem para cópias piratas. “Relançar os discos do projeto Cantoria é quase uma obrigação cultural nossa. Os discos estavam fora do catálogo há muito tempo e sempre disputados em sebos por colecionadores e com preços nas alturas nos sites de venda de produtos novos e usados, como o Mercado Livre, por exemplo”, explica o diretor-artístico da Kuarup, Rodolfo Zanke. “Além da demanda temos, claro, a relevância artística e cultural do movimento que reuniu os cantadores Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai, fazendo a música medieval e contemporânea brasileira em concertos por todo o País”, completa Zanke. A gravadora encerrou suas operações em 2007, mas foi comprada por novo grupo em 2009.

“É ótima essa reedição. Trata-se de uma obra de arte, o registro de um show ao vivo de uma qualidade impressionante. Eles são uma referência para muitos músicos, entre os quais me incluo”, afirma o violeiro Levi Ramiro. Ele conta que começou a carreira tocando música caipira e depois passou para MPB. “Voltei novamente às minhas origens depois de ouví-los. 'Pena que não teremos chance de ver novamente os quatro cantando ao vivo. Seria excelente, mas acho muito difícil acontecer. Esses menestreis são uma grande referência. É maravilhosa a reedição dos CDs. Eu mesmo não tenho os originais, só cópias.”

Casa dos Carneiros

Se reunir os quatro cantadores do projeto Cantorias é algo improvável, os fãs podem se preparar para um encontro semelhante, apesar de, em princípio, restrito a uma única apresentação no quintal de Elomar. No dia 13 de outubro, será realizado o espetáculo 'Cantadores, Lá na Casa dos Carneiros', reunindo Elomar, Xangai, Saulo Laranjeira e Chico César. “É importantíssimo esse relançamento. Os discos estão fora de catálogo há muito tempo. Além disso, há uma carência de música regional no mercado. Há muitos lançamentos, mas independentes, vendidos apenas nos shows, que não chegam às prateleiras das lojas”, diz o jornalista, compositor e produtor musical Adriano Rosa. “É muito importante esse resgate. Os fãs do quarteto sempre esperaram por novos discos. Isso deixa no ar a esperança

de que eles se animem e façam numa nova turnê. É também uma grande oportunidade para a nova geração conhecer esse trabalho tão bonito”, avalia Rosa.

O menestrel Elomar é avesso a dar entrevistas e fazer fotos e vive quase que isolado em seu refúgio chamado Casa dos Carneiros, a cerca de 20 quilômetros de Vitória da Conquista, perto da divisa da Bahia com Minas Gerais. Ermitão por natureza e arquiteto, Elomar bancou em seu sítio a construção do Teatro Domus Operae, com fosso de orquestra (coisa que Campinas não tem), palco aberto para a paisagem montanhosa e plateia com capacidade para cerca de 2 mil pessoas. É lá que vai ocorrer este novo encontro que promete entrar para a história da música brasileira, marcado para 13 de outubro. No dia 7 de dezembro, no mesmo teatro, será encenado, com coral e orquestra, o 'Auto da Catingueira', criação de Elomar editada em 1983 e que estreou em 2011 em Belo Horizonte.

Pacote

O pacote de relançamentos resultante da parceria entre a Sony Music e Kuarup traz à cena grandes nomes da música brasileira do acervo da extinta Kuarup. Além de 'Cantoria 1' e '2', foram relançado os álbuns 'Pena Branca e Xavantinho' (2002); 'Pena Branca - Semente Caipira' (2000); 'Billy Blanco e Radamés Gnattali - Doutores em Samba' (1996); 'Renato Teixeira e Zé Geraldo - O Novo Amanhece' (2000); 'Sérgio e Odair Assad - Heitor Villa-Lobos, Obra Completa para Violão Solo' (2001); e 'Retratos - Radamés Gnattali - Vários Artistas' (1990). Além deles, no pacote da Sony estão dois lançamentos: 'Alice Caymmi - Alice Caymmi', trabalho de estreia da filha de Danilo Caymmi; e 'Lenine Guarani - Menino da Silva', também álbum de estreia do filho mais novo do cantor Taiguara.

Longa pernambucano é escolhido para disputar indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro | Agência Brasil

Longa pernambucano é escolhido para disputar indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro 20/09/2013 - 16h06 Cultura Ivan Richard Repórter da Agência Brasil Brasília – O longa-metragem O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, foi o filme brasileiro escolhido para concorrer a uma indicação ao Oscar 2014 de melhor filme estrangeiro. O anúncio foi feito hoje (20) pelo Ministério da Cultura, depois de seleção com 14 filmes nacionais. O Som ao Redor é o primeiro longa-metragem do cineasta e crítico pernambucano Kleber Mendonça Filho, que dirigiu vários curtas. O filme foi incluído na lista dos dez melhores de 2012 do crítico A. O. Scott, do jornal americano The New York Times e recebeu prêmios em festivais de cinema de mais de 70 países. O filme narra a reviravolta que ocorre em uma rua de um bairro classe média da zona sul do Recife depois da chegada de uma milícia que oferece segurança aos moradores. A personagem Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. O longa é uma reflexão sobre história, violência e barulho. “A Comissão Especial de Seleção escolheu aquele que entendeu ser o mais representativo em termos de originalidade e expressão cinematográfica”, disse o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Leopoldo Nunes, integrante da comissão. “Acho muito simbólico pela regionalidade. É um filme pernambucano, de um ator pernambucano de altíssima qualidade, com uma reputação cinematográfica [internacional] que poucos filmes na história no Brasil tiveram", destacou Nunes, lembrando que a obra recebeu críticas positivas em diversos 70 países. "O filme tem muitos predicados e muitas qualidades. Esses foram os critérios de desempate e para chegarmos no consenso”, acrescentou Nunes. Entre os filmes incluídos na seleção para a indicação à Academia Norte-americana de Artes e Ciências Cinematográfica estavam Cine Holliúdy, Colegas, Cores, Elena, Faroeste Caboclo, Gonzaga de Pai para Filho e Meu Pé de Laranja Lima. Agora, o filme brasileiro será apresentado à academia norte-americana, que o analisará junto com os indicados por mais de 70 países. Os cinco finalistas serão conhecidos no dia 16 de janeiro. Edição: Nádia Franco//O texto foi ampliado às 16h46 Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir a matéria, é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil